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Eleições - O segundo turno da eleição presidencial entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) escancarou, em Piraí, uma fratura política que vinha sendo contida, mas que voltou à tona com força. À medida que a data de 25 de outubro se aproxima, a disputa nacional reacende tensões locais e divide ruas, grupos de mensagens e, sobretudo, as redes sociais do município.
O clima é de polarização aberta. Amigos e amigas que haviam reatado o convívio após as eleições anteriores voltaram a romper o diálogo como muitos observam. Aliados locais que antes caminhavam lado a lado agora se olham com desconfiança. Nas redes sociais, proliferam as indiretas e cada eleitor passou a defender o seu candidato da forma que considera mais eficaz e pertinente. A eleição deixou de ser um assunto distante, de Brasília, para se instalar no cotidiano da cidade.
No campo dos mandatos, porém, chama a atenção o número reduzido de nomes dispostos a se expor publicamente. Entre os vereadores, apenas um mantém, desde o primeiro dia de campanha, o apoio explícito e o pedido de votos para Flávio Bolsonaro posição coerente com o fato de ser o único vereador do PL, partido do candidato, no município. Outro parlamentar que também declarou apoio público ao candidato do PL foi o vereador Russo (MDB).
Do outro lado do espectro, o apoio a Lula tem sido manifestado de forma pública e recorrente, especialmente nas redes sociais, por nomes conhecidos da política local: o ex-prefeito Dr. Luiz Antonio e o ex-vereador Ricardo Cadão tem se posicionado com frequência em defesa do presidente. Além do Prefeito Pezão, que organizou um ato público pro Lula no primeiro turno e vem pedindo votos pessoalmente para eleitores nas ruas da cidade.
O que mais se destaca no cenário Piraiense, no entanto, é o silêncio. Até o momento, os demais vereadores do município não se posicionaram publicamente sobre a disputa do segundo turno. A ausência de manifestação não tem passado despercebida: nas redes sociais, cresce o número de eleitores que cobram um posicionamento claro dos parlamentares, questionando de que lado cada um está.
Essa postura de cautela revela o dilema vivido por boa parte das lideranças locais. Em uma cidade pequena, onde as relações pessoais e políticas se entrelaçam, declarar apoio a um dos lados pode significar desgaste com parte do eleitorado o que, às vésperas de futuras disputas municipais, nenhum político quer arriscar. O resultado é um tabuleiro em que poucos mostram as cartas, enquanto a maioria prefere observar o furacão passar.
A duas semanas da decisão, Piraí vive, assim, um retrato em miniatura da polarização nacional: de um lado, os que se expõem e assumem posição, de outro os que calculam cada palavra e no meio, um eleitorado cada vez mais atento e impaciente para saber quem apoia quem.
Direto da Redação
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