A eleição acabou. E eu, sinceramente, respiro aliviado. Não pelo resultado seja ele qual for, sempre vai ter gente feliz e gente decepcionada, mas porque chegou a hora de a vida voltar ao normal. E voltar ao normal, para mim, significa uma coisa simples: parar de tratar quem pensa diferente como se fosse inimigo.

Escrevo este texto porque fiquei preocupado com o que vi nos últimos meses. Vi amigos de anos se desentenderem por causa de política. Vi famílias brigando no grupo do WhatsApp. Vi gente deixando de se falar, de se cumprimentar na rua, tudo por causa do voto do outro. E eu me pergunto: valeu a pena? 

A verdade é simples: a eleição é um momento, mas a vida é o tempo todo. A gente passa alguns meses discutindo candidatos, mas passa o ano inteiro dividindo a mesma rua, o mesmo bairro, a mesma fila do postinho, a mesma cidade. 

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As pessoas com quem a gente convive no dia a dia não deixaram de ser boas porque votaram diferente. Elas continuam sendo o pai que leva o filho na escola, a senhora que cuida do jardim, o rapaz que ajuda a empurrar o carro quando ele quebra. 

A política não apaga isso. Eu acredito que dá para discordar sem odiar. Pensar diferente faz parte da vida, e até é bom. Se todo mundo pensasse igual, o mundo seria sem graça e não evoluiria. O problema não é a diferença de ideias o problema é quando a gente deixa essa diferença virar raiva, virar ódio, virar muro. E muro, a gente sabe, só serve para separar.

Também penso muito nas crianças e nos jovens que estão vendo tudo isso. Que exemplo a gente está dando quando trata o outro com desprezo só porque ele tem outra opinião? Se quisermos um país melhor, precisamos mostrar que é possível conversar, respeitar e conviver, mesmo sem concordar. 

Isso se aprende em casa, na rua, no convívio não num discurso bonito de político. Por isso, meu pedido neste artigo é simples e vem do coração: vamos deixar as diferenças para trás e olhar para frente. Vamos reatar aquela amizade que esfriou. Vamos voltar a cumprimentar aquele vizinho. 

Vamos tirar da nossa boca a palavra “inimigo” quando falarmos de quem apenas pensa diferente de nós. A eleição passou, mas a convivência fica.
No fim, somos todos a mesma coisa: pessoas querendo trabalhar, criar os filhos, ter saúde, pagar as contas e viver em paz. É muito mais o que nos une do que o que nos separa. Basta a gente lembrar disso.

Por Junior Rocha

A Folha do Café não se responsabiliza pelas opiniões emitidas nessa coluna