Brasília - O presidente do Fluminense, Mattheus Montenegro, provocou forte repercussão ao se manifestar, nesta terça-feira (3), durante audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute a constitucionalidade da medida provisória que proíbe as apostas de quota fixa, conhecidas como bets. Em seu discurso, o dirigente comparou o endividamento das famílias provocado pelas apostas ao desemprego que, segundo ele, atingiria o futebol caso a atividade seja proibida.

Ao se dirigir aos ministros, Montenegro reconheceu que as apostas causam problemas sociais, como o endividamento das famílias brasileiras, e afirmou que o clube não nega essa realidade. Na sequência, porém, ponderou que os efeitos econômicos da medida também precisariam ser considerados pela Corte. O presidente do Fluminense afirmou que o drama de uma família endividada não poderia ser maior do que o de uma família atingida pelo desemprego gerado na cadeia do futebol, especialmente nos clubes menores.

Foi justamente essa comparação que gerou revolta nas redes sociais. Para muitos, ao equiparar ou subordinar o drama das famílias endividadas pelas apostas à questão do emprego no futebol, o dirigente minimizou os impactos sociais da ludopatia (o vício em jogos) e do superendividamento provocados pelas bets. Trechos do discurso circularam amplamente nas plataformas digitais e foram alvo de críticas ao longo do dia.

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Durante a participação, Montenegro também apresentou números sobre a dependência financeira do futebol brasileiro em relação ao setor de apostas. No caso específico do Fluminense, o impacto financeiro direto estimado com a proibição chegaria a cerca de R$ 200 milhões. O Fluminense é um dos clubes que pediram ao STF a suspensão da medida provisória.

Ao encerrar sua fala, o dirigente agradeceu a oportunidade de apresentar os argumentos do clube e colocou o Fluminense à disposição do ministro Luiz Fux, relator do caso, para contribuir com o debate.

A audiência pública

A audiência foi convocada pelo ministro Luiz Fux para reunir representantes de clubes de futebol, integrantes do governo federal, entidades e demais setores envolvidos na discussão sobre a regulamentação das apostas esportivas no Brasil. O encontro integra o debate sobre os impactos da medida provisória que proíbe a exploração das bets e prevê o fim das autorizações concedidas às empresas do setor.

Segundo os registros da audiência, a manifestação de Montenegro reforçou a preocupação dos clubes com a possibilidade de redução ou interrupção das receitas provenientes das empresas de apostas, que têm participação relevante no financiamento do futebol brasileiro. A fala do presidente do Fluminense foi apontada por diversos veículos como uma das mais polêmicas do dia.

Direto da Redação