Agosto é o mês da Advocacia. Mais do que celebrar a profissão, é tempo de refletir sobre o que significa, verdadeiramente, ser advogado.

A Advocacia não se sustenta apenas no conhecimento técnico. Exige caráter, responsabilidade, coragem, ética e, sobretudo, respeito. Antes de defender uma causa, o advogado assume uma responsabilidade: há uma pessoa, uma família, um patrimônio, uma liberdade ou uma história depositada sob sua confiança.

E confiança não se conquista com promessas vazias ou falsas certezas. Conquista-se com honestidade.

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O advogado precisa falar ao cliente aquilo que precisa ser falado — e não aquilo que vai apenas acariciar seus ouvidos. Nem sempre a verdade é confortável. Muitas vezes, o melhor serviço que um advogado pode prestar é contrariar o cliente, apontar riscos, reconhecer dificuldades e deixar claro quando determinado caminho não é o mais adequado. Advogado não existe para agradar; existe para orientar, defender e dizer a verdade.

É preciso ser honesto com o cliente sobre os riscos, as possibilidades e os limites de cada caso. E também ser honesto com a própria causa. A defesa pode ser firme, combativa e estratégica, sem jamais abandonar a ética.

Respeito é uma via de mão dupla. Quem deseja ser respeitado precisa, antes, saber respeitar. Respeitar colegas, magistrados, membros do Ministério Público, servidores, instituições e, principalmente, a própria profissão. Independência não é arrogância. Firmeza não é desrespeito. Coragem não é licença para ultrapassar limites.

Na Advocacia Criminal, essa responsabilidade é ainda maior. Quando está em jogo a liberdade de alguém, não há espaço para aventuras. Há espaço para preparo, serenidade, técnica, coragem e compromisso inegociável com a lei, o devido processo legal e as garantias fundamentais.

O advogado também precisa saber dizer não. Não a propostas que afrontem seus valores. Não a práticas incompatíveis com a ética. Não àquilo que desonra a profissão. Não aceitar o inaceitável também é exercer a Advocacia.

Porque o verdadeiro advogado não é aquele que promete vencer todas as causas. É aquele que, independentemente do resultado, consegue olhar para seu cliente, para seus colegas, para as instituições e para sua própria consciência sabendo que fez o seu melhor — dentro da lei e sem abrir mão de seus princípios.

Dar respeito para ser respeitado. Defender com coragem. Falar a verdade, ainda que ela não agrade. Agir com ética. E jamais negociar aquilo que define o caráter de um advogado.

Esse é o compromisso que devemos renovar neste Mês da Advocacia.

Por: Felippe C. Teixeira

Advogado/ Doutorando em Direito pela

universidade UNLZ em Buenos Aires.