Lembra daquela brincadeira de infância onde uma pessoa fica de frente para a outra, as duas  se olhando olhos nos olhos, sérias, e quem risse primeiro perdia para o outro que conseguiu  prender o sorriso por mais tempo? Pois é. Aqui no Rio, chamamos essa brincadeira de  serinho. Vivi em Curitiba por mais de 5 anos, e, quanto mais tempo eu passava lá, maior era  a minha certeza de que, em algum momento na história da cidade, houve uma etapa de um  campeonato mundial de serinho. 

Um evento realmente gigante! Foram organizadas dezenas de chaves ao redor do mundo:  galera daqui do Brasil, Portugal, Itália, Alemanha, Polônia, Ucrânia… até gente da África e os  nativos sul-americanos também se inscreveram na competição. 

As classificatórias e primeiras partidas oficiais aconteceram no território natal de cada  participante. O campeão de cada chave recebeu passagem aérea e estadia de uma semana  em Curitiba com tudo pago: hospedagem, alimentação, vestuário… tudo. A competição foi  tão acirrada que levou bem mais do que sete dias. 

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Os organizadores do evento, vendo que nenhum campeão de chave foi vencido desde que  chegara a Curitiba, decidiram renovar o prazo para o fim daquela etapa. Como ninguém  perdia ou desistia, foram renovando, renovando… A cada renovação, divulgavam um prêmio  ainda mais pomposo a quem vencesse a final. 

Cada competidor foi declarado, por uso-capião, dono do alojamento individual que ocupava,  pois já havia se passado CINCO ANOS! Durante esse tempo, sem sorrir uma fração de  segundo sequer e de uma maneira muito peculiar, os participantes começaram a desenvolver  laços de amizade e até românticos! Muitos juntaram-se, casaram-se, procriaram entre si. 

Uma mente atenta estar-se-ia perguntando: “Ué, mas e a competição?”. Resposta: TODOS  os competidores eram muito, muito mesmo, inimaginavelmente dedicados a conquistar o  admirável e grandioso prêmio disponibilizado em um evento daquele porte. Sendo assim,  entenderam que era preciso, por via das dúvidas, estender a disputa até a prole recém chegada. Ensinaram suas crianças a jamais sorrir, porque estas poderiam desconcentrá-los  e arriscar a desclassificação. 

De geração em geração, um pouco da memória sobre o evento e a tal grande recompensa  foi se perdendo. Organizadores já haviam morrido. Patrocinadores, retirado apoios logístico,  midiático e financeiro. O evento oficial e o magnífico prêmio foram para o beleléu. Mas, a  disputa… essa continua até hoje.

Por Fabivs Comicvs

A Folha do Café não se responsabiliza pelas opiniões contidas nessa coluna.