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No próximo domingo, 25 de outubro, o Brasil vive um daqueles momentos que costumam entrar para a história: o segundo turno da eleição presidencial. E eu escrevo este artigo movido por uma preocupação que considero legítima e urgente a de que, justamente na hora mais decisiva, parte dos eleitores acabe ficando em casa. Por isso, faço aqui um apelo sincero: compareça, vote, participe.
Confesso que, a cada eleição, me surpreendo com a quantidade de pessoas que tratam o segundo turno como um “detalhe”, como se a decisão mais importante já tivesse sido tomada no primeiro. É o contrário. É agora que a escolha se afunila, que as diferenças ficam mais claras e que cada voto pesa ainda mais. No segundo turno, não há dispersão: são apenas dois caminhos, e o país inteiro vai seguir por aquele que a maioria escolher. Não existe gesto político mais concreto do que esse.
Penso muitas vezes no peso real de um único voto. É comum ouvir que “um voto não muda nada”, e eu discordo profundamente dessa ideia. Eleições já foram decididas por margens apertadíssimas, e disputas que pareciam tranquilas terminaram em verdadeiros fotofinish.
Mas, mesmo que a diferença fosse enorme, o raciocínio continuaria falho: a democracia não se mede apenas pelo resultado, e sim pela participação. Quando deixo de votar, não me isento da política apenas transfiro a minha parcela de decisão para as mãos de outra pessoa. E, convenhamos, abrir mão da própria voz nunca é um bom negócio.
Também gosto de lembrar que o voto é a única ferramenta que nos iguala de verdade. No dia da eleição, diante da urna, o meu voto vale exatamente o mesmo que o do mais poderoso dos cidadãos. Não importa renda, cargo, sobrenome ou influência: ali, somos todos iguais.
Essa igualdade, ainda que dure o instante da votação, é uma conquista preciosa, construída ao longo de décadas de luta por um país em que o povo pudesse, enfim, escolher os seus governantes. Honrar esse direito é também respeitar quem veio antes de nós.
Sei que muita gente chega a este segundo turno cansada. Foram meses intensos de campanha, de debates acalorados, de brigas nas redes sociais e para alguns, de decepção com os rumos da política. Entendo esse sentimento. Mas peço que ninguém confunda cansaço com desistência. A frustração é compreensível mas não justifica a sua ausência.
Faço questão de dizer que votar bem exige um mínimo de responsabilidade. Não defendo o voto por impulso, nem o voto movido apenas pela raiva ou pela paixão do momento. Defendo o voto pensado: aquele em que a pessoa compara propostas, avalia trajetórias, desconfia de promessas fáceis e escolhe com a consciência de que está decidindo não só o seu futuro, mas o do país.
O voto não termina no domingo ele começa ali, e se prolonga na cobrança e no acompanhamento de quem for eleito.
Eu vou votar. E espero, de coração, que você também vá.
Por Junior Rocha
A Folha do Café não se responsabiliza sobre as opiniões emitidas nesta coluna
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