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No próximo dia 4 de outubro, vou fazer aquilo que considero um dos gestos mais importantes da vida em sociedade: vou votar. Escrevo este texto porque acredito que precisamos, de tempos em tempos, lembrar uns aos outros do valor desse ato que muitos tratam como obrigação e que eu enxergo como um privilégio conquistado a duras penas.
Penso muitas vezes que o voto é a única ferramenta que iguala a todos nós. No dia da eleição, o meu voto vale exatamente o mesmo que o do mais rico ou o do mais humilde. Não importa a minha renda, a minha crença, a minha cor ou a minha origem: diante da urna, somos todos iguais. Essa igualdade, ainda que dure apenas o instante do voto, é uma das coisas mais bonitas e mais justas que a democracia nos oferece.
Também costumo lembrar que o direito de votar não caiu do céu. Ele foi conquistado ao longo da nossa história, muitas vezes com luta e sacrifício. Houve épocas em que a maioria das pessoas não podia escolher seus governantes, em que mulheres não votavam, em que o voto não era secreto e em que a vontade popular era simplesmente ignorada. Quando penso nisso, o gesto de ir à urna deixa de ser um peso e se transforma em uma forma de honrar quem veio antes de nós e abriu esse caminho.
Ouço com frequência quem diga que "não adianta votar" ou que "é tudo igual". Respeito a frustração por trás dessas frases, porque ela nasce, muitas vezes, de decepções reais. Mas discordo da conclusão. Quando deixo de votar, não estou me livrando da política estou apenas permitindo que outras pessoas decidam por mim. A ausência não é neutralidade: é uma entrega silenciosa do meu poder de escolha a quem, talvez, não tenha os meus interesses no coração. Prefiro participar, ainda que de forma imperfeita, a me calar.
É claro que votar bem exige esforço. Acredito que o voto consciente é aquele que vem acompanhado de um mínimo de pesquisa: conhecer as propostas, olhar a trajetória dos candidatos, desconfiar de promessas fáceis e de soluções milagrosas. O voto não termina no domingo da eleição, ele começa ali. Depois, vem a parte mais difícil e mais importante, que é acompanhar e cobrar quem elegemos. Mas nada disso acontece se não dermos o primeiro passo, que é comparecer.
No dia 4 de outubro não deixe o seu voto em casa. Não terceirize a sua voz. Vá à urna com a consciência de que aquele gesto simples apertar alguns números e confirmar é, ao mesmo tempo, um direito, um dever e uma das poucas oportunidades reais que temos de dizer que tipo de país, de estado e de cidade queremos construir.
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