Existe uma fase da vida da mulher que ainda é pouco discutida, mas que pode causar um grande impacto na sua saúde mental. A perimenopausa é a transição hormonal feminina que antecede a menopausa. Geralmente, começa após os 40 anos e pode durar anos. Esse período pode provocar mudanças no sono, no humor e na memória, mas muitas mulheres ainda não associam esses sintomas à saúde mental.

Pesquisadores da University College London (UCL) conduziram uma meta-análise publicada em 2024 no Journal of Affective Disorders. Os resultados mostraram que mulheres na perimenopausa apresentaram um risco cerca de 40% maior de sintomas depressivos e de diagnóstico de depressão em comparação com mulheres na pré-menopausa. Após a menopausa, esse aumento de risco não se manteve.

Para a psiquiatra Dra. Milane Valdek, que atua com foco em saúde mental feminina, esse dado mostra a necessidade de tratar a transição hormonal como uma fase que exige cuidados específicos, e não apenas como um conjunto de sintomas físicos.

“Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo que não se reconhecem mais: estão mais irritadas, dormem mal, esquecem compromissos e sentem uma ansiedade que nunca tiveram. Boa parte delas não sabe que isso pode estar relacionado à perimenopausa, e muitas ouviram que é apenas estresse”, explica.

Alguns sintomas podem ser confundidos com outras condições, pois, nessa fase, as oscilações nos níveis de estrogênio e progesterona podem interferir no sono e no humor. Assim, podem ocorrer insônia, irritabilidade, ansiedade e lapsos de memória.

“Nem toda alteração emocional dessa fase é um transtorno psiquiátrico, mas também não deve ser descartada como algo natural que é preciso aguentar. A avaliação precisa considerar o momento hormonal, o histórico de saúde mental, o sono e o contexto de vida de cada mulher”, comenta a Dra. Milane.

Esses sintomas podem afetar os relacionamentos, o trabalho e até mesmo a sexualidade. Infelizmente, sem o diagnóstico correto, algumas mulheres pensam que essas dificuldades são uma falha pessoal.

A Dra. Milane explica que a prevenção é o melhor caminho. A abordagem preventiva deve estar presente desde o início da transição. Isso significa priorizar um sono de qualidade, praticar atividades físicas e, claro, buscar acompanhamento especializado, tanto com um ginecologista quanto com um profissional de psicoterapia.

“A psiquiatria não precisa começar só quando a pessoa adoece. Falar de saúde mental na perimenopausa é falar de prevenção, de qualidade de vida e de como atravessar essa transição bem, inclusive pensando no envelhecimento saudável do cérebro”, explica.

É fundamental prestar atenção às mudanças emocionais e comportamentais e procurar ajuda profissional diante de sinais como irritabilidade persistente, perda de interesse por atividades de que gosta e pensamentos negativos.

Em situações de sofrimento emocional intenso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito, 24 horas por dia, pelo telefone 188.

Por Simone Benvindo

A Folha do Café não se responsabiliza pelas opiniões emitidas nessa coluna 

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