Brasília - Trocas de mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, manteve contato direto com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes nos dias que antecederam sua prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025. Em ao menos uma das mensagens, o banqueiro propôs um encontro pessoal com o magistrado no dia anterior à detenção.

Segundo os diálogos que constam de relatório da corporação, Vorcaro sugeriu se reunir com o ministro no dia 16 de novembro, véspera da prisão, perguntando por um horário e propondo que o encontro ocorresse na casa de um dos dois. Não há confirmação, nas informações divulgadas, de que a reunião tenha de fato acontecido.

Contato por mensagens autodestrutivas

De acordo com a apuração da PF, boa parte da comunicação entre os dois foi feita por meio de imagens de visualização única no WhatsApp  recurso que faz o conteúdo se apagar logo após ser aberto. O relatório aponta que Vorcaro escrevia textos no bloco de notas do celular, fotografava a tela e enviava as capturas ao ministro nesse formato, o que dificultou a recuperação integral do conteúdo pelos investigadores.

Publicidade
Publicidade

Ainda conforme o material, nos dias anteriores à prisão o banqueiro questionou o ministro sobre a possibilidade de uma operação da Polícia Federal contra ele e chegou a perguntar se deveria deixar o país. Em outras mensagens, demonstrou indignação diante da iminência da ação e tratou de negociações para vender o Banco Master e quitar dívidas da instituição.

A prisão

Vorcaro foi detido na noite de 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando tentava embarcar em um jato particular com destino ao exterior. A detenção integra a Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema para inflar o patrimônio do Banco Master e atrair captações bilionárias, envolvendo, em tese, crimes de gestão fraudulenta e estelionato.

Sigilo retirado e envio à PGR

Os diálogos passaram a ter maior repercussão após o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, retirar o sigilo dos autos e encaminhar o material à Procuradoria-Geral da República (PGR) para manifestação. Mendonça assumiu a relatoria depois da saída do ministro Dias Toffoli, cujo nome havia sido associado a indícios de conexões com o banqueiro em etapas anteriores da investigação.

Até o momento, não há manifestação pública de Moraes sobre o teor das mensagens divulgadas.