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Você cuida da casa, das crianças, do trabalho, se desdobra para dar conta de tudo. Se sente cansada, por vezes desmotivada, mas vai levando a vida assim, porque não encontra tempo para você. O pior é a sociedade em volta te julgando quando você tenta se cuidar um pouco. A exaustão que você sente pode ser muito mais do que stress e, a longo prazo, pode afetar não só sua saúde física, como a mental também.
A Dra. Larissa Govatski, psicóloga clínica e neuropsicóloga, esclarece que o cuidado da saúde mental das mulheres é muito importante: “Muitas mulheres chegam ao consultório acostumadas a dar conta de tudo, a cuidar de todo mundo e a deixar as próprias necessidades sempre para depois. E, quando essa rotina se torna constante, muitas vezes o que aparece é uma mulher que, por fora, continua funcionando, mas, por dentro, já está cansada, sobrecarregada e sem saber muito bem como parar. Então, falar sobre isso é uma oportunidade de trazer informação, mas também de ampliar o olhar para a saúde mental das mulheres e para a importância de construirmos uma relação mais saudável e cuidadosa conosco.”
A pressão social acaba influenciando a forma como você se enxerga. Afinal, é dever da mulher dar “conta de tudo”. E, quando uma mulher está no seu limite, às vezes não recebe ajuda, mas sim um tapinha nas costas e o apelido de “guerreira”. O fardo de ter que ser perfeita está nos adoecendo aos poucos.
“É bonito reconhecer a força de uma mulher, mas existe uma diferença entre reconhecer sua força e dizer que ela precisa suportar tudo. Quando a sociedade aplaude uma mulher apenas porque ela aguenta tudo, existe o risco de transformar o sofrimento dela em uma obrigação. Ser forte também pode significar dizer ‘eu não consigo sozinha’. Pode significar pedir ajuda, estabelecer limites, descansar... A mulher não precisa provar o seu valor através da quantidade de coisas que consegue suportar. Ela não precisa viver constantemente no limite para ser uma mulher forte, competente ou importante”, alerta Dra. Larissa.
Infelizmente, muitas de nós não nos damos conta de que chegamos ao limite, pois continuamos cercadas de responsabilidades que nem ao menos conseguimos olhar para nós e nos perceber. Mas a Dra. esclarece que é importante ter atenção com alguns sinais: “Irritabilidade frequente, dificuldade de concentração, alterações no sono, cansaço persistente, sensação de estar sempre no limite, perda de prazer nas coisas que antes faziam sentido, necessidade de se isolar e uma sensação constante de que qualquer pequena demanda já é demais. E, também, estar sempre no automático.”
Nem todo cansaço é exaustão, por isso é tão importante se olhar com mais carinho e atenção. Porque, quando estes sintomas são frequentes, pode não ser só uma fase. E é aqui que entra a terapia. No entanto, ela ainda é vista com certo tabu. A Dra. Larissa esclarece que, durante muito tempo, o cuidado com a saúde mental foi associado com fraqueza ou “loucura”. Mas precisamos mudar este pensamento, porque o cuidado com a saúde mental é tão essencial quanto cuidar do corpo.
“A terapia não precisa ser o último recurso quando tudo já deu errado. Ela também pode ser um espaço de prevenção, autoconhecimento e construção de recursos para lidar melhor com a vida. Cuidar da mente não significa que existe algo errado com você. Significa reconhecer que você também merece atenção e cuidado”, explica a Dra.
O primeiro passo para cuidar da saúde mental é parar e reconhecer como você está. Afinal, buscar ajuda profissional é um ato de coragem e autocuidado. A Dra. Larissa indica fazer perguntas simples para si mesma, como: “Como eu tenho me sentido?”, “O que tem me sobrecarregado?”, “O que eu estou precisando e não estou conseguindo pedir?”, “Onde eu tenho ultrapassado os meus próprios limites?”.
“A partir dessa autoanálise, é possível começar a fazer mudanças. Às vezes, será necessário estabelecer limites, dividir responsabilidades, voltar a fazer algo que proporciona prazer ou simplesmente reconhecer que não é preciso resolver tudo sozinha”, completa.
A Dra. Larissa deixa uma mensagem especial para você, leitora:
“Você não precisa esperar adoecer para pedir ajuda. Não precisa chegar ao seu limite para se permitir descansar. E, quando você descansar, entenda que é um merecimento, uma necessidade e que faz parte da construção do seu bem-estar. Você não precisa provar força o tempo inteiro. Pedir ajuda não diminui a sua competência. Pelo contrário: reconhecer que você precisa de cuidado também é uma forma de coragem.
Você passou muito tempo cuidando de tantas coisas e de tantas pessoas, agora chegou o momento de incluir você nessa lista. E, se ninguém te disse isso ultimamente: você também merece ser cuidada!!! Permita-se dar pausas, pois é entre pausas que a saúde mental se constrói.”
Simone Benvindo Entre nós, mulheres
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