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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026
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Curta-metragem de Barra Mansa se destaca no Festival Visões Periféricas no Rio de Janeiro

O filme "Eu Lírico" traz uma abordagem profunda e sensível sobre a educação nas periferias

Folha do Café
Por Folha do Café
Curta-metragem de Barra Mansa se destaca no Festival Visões Periféricas no Rio de Janeiro
Pedro Paredes
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O filme "Eu Lírico" é um curta-metragem escrito e dirigido por Pedro Paredes. Este projeto tem o apoio da Fundação Cultura Barra Mansa e da Lei Paulo Gustavo. No último domingo (16), aconteceu a 18ª edição do Festival Visões Periféricas, mostra competitiva Cinema da Gema. Na ocasião, o filme ficou em 3º lugar, destacando o profissionalismo do trabalho audiovisual dos talentos da região.

Pedro Paredes é graduado em Letras, mas trabalha com produção audiovisual desde os 16 anos. A história do filme retrata um pouco de suas próprias experiências.

"Eu Lírico é um curta-metragem sobre Luís (Caio Sidério), professor de literatura, que se vê num impasse pessoal: após discutir com alunos, o personagem é perturbado pela insônia e alucinações, enquanto questiona o impacto de seu papel na vida de jovens sem perspectiva. A motivação para tal história vem do período de estágio em minha graduação, onde pude presenciar situações diárias de professores e alunos de escola pública, dificuldades básicas como a falta de material didático, vulnerabilidade familiar, desigualdade social e a batalha pela autoestima, contra um Estado cuja luta é para que jovens não passem de 'jovens'", conta Pedro.

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O roteiro do filme começou a ser idealizado quando Pedro foi apresentado ao conto "Maria", de Conceição Evaristo, presente em seu livro "Olhos D'Água", em uma aula do curso de Letras. O conto aborda a vida de uma mulher que é mãe solteira, periférica, negra, trabalhadora. O impacto da realidade retratada incentivou Pedro a estudar de maneira mais profunda o estilo e as abordagens usadas pela autora. Além dela, Pedro teve muitas outras inspirações pelo caminho.

"Para este filme, pude estudar o cinema de Anna Muylaert, cineasta brasileira que trabalha muito com temáticas infantojuvenis, não só no cinema ("Durval Discos", "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias"), mas também na TV. Ela é responsável por roteiros de programas que semearam em mim a busca pela cultura e educação, como "Castelo Rá-Tim-Bum". Outras inspirações foram o cinema marginal de Carlos Reichenbach, em "Filme Demência", e o cinema crítico e político de Spike Lee", destaca Pedro.

O curta-metragem "Eu Lírico" teve apoio da Lei Paulo Gustavo, que visa fortalecer a democratização da Cultura, contribuindo para a diversidade e pluralidade da produção cultural brasileira.

"A Lei Paulo Gustavo impactou de forma extremamente positiva. Nossa equipe de produção sabe o nível de dificuldade que é trabalhar com cinema: vendemos coisas, fazemos festas, vendemos rifas, tudo em prol de viabilizar a produção de nossa arte. Há alguns anos, várias das pessoas envolvidas em 'Eu Lírico' deram o pontapé inicial nessa espécie de 'revolução do audiovisual' do Sul Fluminense. Isso, sem dúvidas, culminou em maior atenção por parte dos representantes públicos para com produtores independentes da região. No Sudeste, estados e municípios tinham previsão de R$ 1,4 bilhão para a realização de projetos voltados ao fortalecimento da cena cultural da região, segundo o GOV. Ler aquela notícia foi como um sonho, a oportunidade de ouro não só para produzirmos, mas para finalmente sermos reconhecidos por nosso árduo trabalho", destaca Pedro.

O curta-metragem "Eu Lírico" nos faz refletir sobre muitos aspectos. Alguns se identificam, outros ganham um choque de realidade. A mensagem é direta, inspiradora e emocionante. Afinal, essa é a realidade de milhares de jovens do nosso país.

"Creio que o cinema é uma arte frontal, portanto, cada um irá sentir o curta de uma forma, e isso o torna mais interessante. Espero ajudar (nem que por 1%) jovens a valorizar seus professores e vice-versa. Vocês só têm a si!", destaca Pedro.

Além de Pedro, o filme contou com muitos outros talentos de Barra Mansa. Foi muito planejamento e estudo até chegar ao projeto final. Com tanto trabalho e empenho, vem o reconhecimento. E ele veio através do Festival Visões Periféricas, que selecionou o filme para uma mostra competitiva.

O filme "Eu Lírico" foi um dos 8 filmes selecionados no Festival, em meio a centenas de filmes nacionais inscritos para a sessão Cinema da Gema. De acordo com Pedro, esta experiência ajudou a elevar a autoestima dos artistas da região, que se viram no cinema e também ao lado de artistas consagrados do Rio de Janeiro.

Pedro ainda menciona a importância da educação para os jovens da região que querem se destacar no ramo do audiovisual. "Assistam sim aos filmes, estudem muito, porém, acima de tudo, saibam escutar as pessoas! As melhores histórias estão acontecendo exatamente neste momento, na sua casa, na escola, no ônibus. Basta vocês abrirem seus ouvidos e perceberão que até mesmo seus pais são atores como os grandes da literatura clássica", comenta.

O filme está em circulação em festivais e mostras nacionais. Em abril, haverá duas exibições na região: em Barra Mansa e Resende. Seguindo a página no Instagram (@eulirico.filme), é possível acompanhar melhor as novidades, datas e locais.

Pedro Paredes também compartilha em seu perfil pessoal do Instagram (@upedroparedes), além de seus trabalhos e filmes favoritos, suas paixões por cultura nerd e música.

FONTE/CRÉDITOS: Simone Benvindo
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