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A relação que nós, mulheres, temos com o nosso corpo muitas vezes não é levada em consideração quando falamos sobre saúde mental. No entanto, as dores e os desconfortos físicos têm um forte reflexo no nosso emocional.
Sentir dor durante a relação sexual e ter incontinência urinária são situações que muitas de nós acabamos não mencionando nas consultas médicas. Além disso, essas situações podem influenciar a escolha das nossas roupas, o nosso convívio social e a prática de exercícios físicos.
Por que nós evitamos falar sobre sintomas íntimos?
A médica ginecologista Mirelle Ossipi Ruivo (CRM 22812), especialista em Medicina Estética e Regenerativa, explica que um dos grandes problemas é a normalização desses sintomas. "Há mulheres que passam anos convivendo com desconfortos porque acreditam que fazem parte do envelhecimento, da maternidade ou das mudanças hormonais. Outras sentem vergonha de falar sobre o assunto. Quando isso começa a modificar comportamentos, afetar a sexualidade ou gerar insegurança constante, precisamos olhar para essa paciente de forma integral", afirma Mirelle.
O que a ciência diz sobre saúde íntima e saúde emocional?
A relação entre saúde íntima e saúde emocional já vem sendo estudada pela ciência. Uma meta-análise, que é um tipo de pesquisa que reúne vários estudos, analisou dados de mais de 31 mil participantes em 12 trabalhos. O resultado mostrou níveis maiores de ansiedade e depressão entre as pessoas com incontinência urinária, em comparação com aquelas que não têm a condição. Além disso, outra revisão, focada nas disfunções do assoalho pélvico feminino, também encontrou sintomas relevantes de ansiedade e depressão nessas pacientes.
Como os sintomas afetam o nosso dia a dia?
De acordo com a ginecologista, o impacto dos sintomas ocorre de maneira gradual. "Nem sempre a paciente chega dizendo que sua autoestima está abalada. Ela pode dizer que deixou de ter relações, que evita determinados exercícios ou que não se sente mais à vontade com o próprio corpo. É durante a escuta que conseguimos compreender o quanto aquele sintoma já interferiu na rotina e na qualidade de vida", explica.
Quando procurar um médico?
A médica alerta que nem toda insatisfação com a região íntima necessita de tratamento. Por isso, o acompanhamento individualizado é essencial. Se notarmos alguma mudança na nossa rotina, dores ou desconfortos, não devemos deixar para depois, pois buscar orientação médica é fundamental.
Precisamos falar sobre sintomas íntimos, sem tabu e sem constrangimentos. Afinal, isso contribui para que mais mulheres procurem ajuda especializada e deixem de conviver em silêncio com algo que prejudica a vida e o bem-estar a longo prazo.
"Cuidar da saúde íntima não deve ser reduzido à estética. Estamos falando também de conforto, função sexual, autonomia, autoestima e qualidade de vida. O mais importante é que a mulher saiba que pode falar sobre esses sintomas e buscar orientação médica sem vergonha", conclui Mirelle.
Qual é o primeiro passo?
O primeiro passo é quebrar o silêncio. O cuidado do corpo e da mente precisa andar junto. Por isso, se você sente que sua rotina e seu bem-estar emocional estão sendo prejudicados por sintomas como esses, procure um profissional de confiança.
Você não está sozinha, e existe cuidado específico para cada caso. Compartilhe esta matéria para que mais mulheres procurem ajuda.
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