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Sexta-feira, 16 de Janeiro de 2026
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Texto de pedido de manifestação

Ouvir todos os lados sempre será o nosso balizamento

Folha do Café
Por Folha do Café
Texto de pedido de manifestação
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Piraí - O Jornal Folha do Café sempre prima pela imparcialidade, democracia e por ouvir todos os lados de uma mesmo história. Após publicação da quarta edição da coluna Linha de Frente, feita pelo nosso colunista Barão de Piraí e de responsabilidade do mesmo.  Um leitor, católico, nos solicitou um pedido de manifestação para colocar o seu ponto de vista sobre o tema abordado na coluna, e assim nosso editor entendeu que deveria ceder o espaço para tal manifestação. Leia abaixo o texto na íntegra.

Olá, tudo bem?
Que a Paz de nosso Senhor Jesus Cristo e o amor de Maria, estejam com todos!
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Sou Marciley, cidadão de Piraí e cristão católico.
 
Tive a oportunidade de ler o artigo intitulado: "A escravidão sustentou a catolicismo?" Texto escrito por William Falcão (Barão de Piraí), morador do Bairro Vila das Palmeira - Piraí e  participante de uma prática religiosa de raiz afro....Percebi alguns erros no referido artigo, seja no contexto histórico, seja na verdade sobre o tema proposto e como católico irei expor um pouco da realidade da escravidão e a Igreja Católica.
 
A Igreja Católica como Instituição criada por Cristo, sempre buscou valorizar a dignidade da pessoa humana, pois todos nós somos Imagem e semelhança de Deus, como podemos ler na Sagrada Escritura (Gênesis 1:26-28), também somos filhos de Deus, como o nosso Senhor Jesus Cristo nos ensinou e por meio Dele nos tornou, quando por nós se deu na cruz. Além disso, temos vários textos oficiais da Santa Igreja e vários autores católicos que apresentam nossa VERDADEIRA posição neste tema da escravidão, recomendo que leiam, por exemplo o livro do Padre Jaime Balmes, com o título: A Igreja Católica e a Escravidão.... também deixo aqui o que diz o Catecismo da Igreja Católica em seu parágrafo 2414: "O sétimo mandamento proíbe os atos ou empreendimentos que, seja por que motivo for - egoísta ou ideológico, mercantil ou totalitário - conduzam a escravizar seres humanos, a desconhecer a sua dignidade pessoal, a comprá-los, vendê-los e trocá-los como mercadoria. É um pecado contra a dignidade das pessoas e seus direitos fundamentais reduzi-las, pela violência, a um valor utilitário ou a uma fonte de lucro. São Paulo ordenava a um amo cristão que tratasse o seu escravo, também cristão, «não já como escravo mas como irmão [...], tanto humanamente como no Senhor» (Flm 16). (CIC 2414)
 
No ano de 2013, o colunista Ricardo da Costa, escreveu uma coluna, no jornal Gazeta do Povo (fonte: https://www.ricardocosta.com/artigo/igreja-catolica-e-escravidao), que nos apresenta, de modo resumido, fatos que mostram a posição da Igreja Católica a respeito da escravidão, em resposta ao deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), que por sua vez, tem a mesma visão que o William Falcão a respeito desse tema acima abordado...deixo aqui as palavras de Ricardo da Costa:  
 
"Vivemos em uma época conturbada. Qualquer coisa afirmada levianamente ganha auréola de verdade. Por exemplo, recentemente, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) disse que sessenta por cento dos congressistas brasileiros utilizavam serviços de prostitutas e que, por isso, eles gostariam de gozar essa atividade em “locais mais seguros”. Conclusão: para o deputado, deveríamos regulamentar a vida das meninas.2
 
Rapidamente a notícia ganhou as manchetes dos jornais. Contudo, dias depois, Wyllys voltou atrás – em uma matéria infinitamente menor, claro: disse que baseou sua afirmação em sua “percepção da sociedade brasileira”, e que, de fato, desconhecia casos de pagamento de prostitutas por colegas.3
 
Bem, cito o deputado do PSOL porque o próprio se valeu de um trecho de uma mensagem do papa Bento XVI no XLVI Dia Mundial da Paz para mais uma de suas afirmações bombásticas. O papa defendera a “estrutura natural do matrimônio” – a união entre um homem e uma mulher – quando negou que quaisquer outras formas radicalmente diversas de união fossem igualmente consideradas, pois elas “prejudicam, desestabilizam e obscurecem a função insubstituível do casamento”.
 
Fazer essa equiparação constituía uma “ofensa contra a verdade da pessoa humana e uma ferida grave infligida à justiça e à paz”. Parafraseando o papa, o deputado afirmou que “ferida grave infligida à justiça e à paz foi a escravidão de negros africanos apoiada pela Igreja Católica”.4
 
Nesse caso, Jean Wyllys não está só. Essa é uma das acusações costumeiras feitas à Igreja. Teria ela, segundo seus detratores, apoiado o sistema escravocrata, especialmente o ocorrido na África no período moderno (séculos XVI-XIX). Isso é verdade? Não. A verdade é exatamente o contrário disso. Vamos (mesmo que brevemente) aos fatos?
 
Na Bíblia há várias passagens relativas a escravos (especialmente o Antigo Testamento). Quase sempre são prescrições atenuantes. Por exemplo: não se deve entregar um escravo fugitivo5, nem utilizá-lo em tarefas degradantes ou serviços desnecessários6; ao escravo é reservado o dia de descanso (sábado).7 Em Eclesiástico:
 
Emprega-o [o escravo] em trabalhos, como lhe convém,
e, se não obedecer, prende-o ao grilhão.
Mas não sejas muito exigente com as pessoas
e não faças nada de injusto.
 
Tens um só escravo? Que ele seja como tu mesmo,
pois o adquiriste com sangue.
Tens um só escravo? Trata-o como a um irmão,
pois necessitas dele como de ti mesmo (Eclo 33, 29-32).
 
Em resumo: apesar de reconhecer a escravidão, a religião a atenuava. Essa foi basicamente a herança do mundo antigo no que diz respeito aos preceitos religiosos.
 
Com a ascensão social e política da Igreja na Idade Média e a consequente cristianização das monarquias, a pressão a favor dos pobres, das mulheres e dos escravos tornou-se maior. Por exemplo, uma lei do século VI (sob influência da Igreja Católica) afirmava que nenhum escravo poderia ser preso caso estivesse em um altar católico: seu dono deveria pagar uma pesada multa caso fizesse isso.
 
Nesses séculos conhecidos pelos especialistas como Alta Idade Média (V-X) o Catolicismo que se difundiu na Europa pressionou aquelas sociedades a considerar a escravidão algo ultrajante aos seres humanos, já que, pela fé em Jesus Cristo, somos todos filhos de Deus.8
 
Apesar disso, a escravidão só lentamente diminuiu – para dar lugar, pouco a pouco, à servidão. Com ela, a dignidade humana estava muito acima da escravidão. Nessa, o escravo era uma coisa que falava; naquela, o servo tinha deveres (e muitos!) – mas também direitos (como, por exemplo, a inalienabilidade da terra).
 
Mas os homens são dificilmente civilizados (e com revezes regulares). Mesmo com a pregação regular da Igreja, na Europa medieval a escravidão continuou tão comum que teve que ser reiteradamente condenada (Concílios de Koblenz, em 922, de Londres, em 1022, e no Conselho de Armagh, ocorrido na Irlanda em 1171).
 
Naquele Concílio de Londres, por exemplo, foi decidido: “Que futuramente, na Inglaterra, ninguém queira entrar naquele comércio nefasto no qual estavam acostumados a vender homens como animais irracionais” (artigo 27).
 
O problema era que as antigas leis romanas, seu Código Civil, reorganizado nos anos 529-534 pelo imperador bizantino Justiniano I (482-565) como Corpus Iuris Civilis (Conjunto do Direito Civil), regulamentava a escravidão. Segundo ele, embora o estado natural da Humanidade fosse a liberdade, os direitos dos povos poderiam, no entanto, substituir a Lei Natural e escravizar pessoas. Basicamente um escravo era: 1. alguém cuja mãe era escrava, 2. qualquer pessoa capturada em batalha, 3. qualquer um que se vendeu para pagar uma dívida (fato comum nos primeiros séculos medievais).
 
Com a ascensão e expansão do Cristianismo, o Direito também se cristianizou. Os advogados medievais, a partir do século XI, chegaram (finalmente) à conclusão que a escravidão era contrária ao espírito cristão. Isso para cristãos (e que não me venha nenhum fariseu acusar a Igreja de não legislar para não cristãos). Em contrapartida, por exemplo, foi o Islã quem difundiu largamente a escravidão. Vejamos isso com mais pormenor.
 
Começo com uma citação do grande historiador Fernand Braudel (1902-1985): “O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da Europa. Foi o Islã, desde muito cedo em contato com a África Negra através dos países situados entre Níger e Darfur e de seus centros mercantis da África Oriental, o primeiro a praticar em grande escala o tráfico negreiro (...). O comércio de homens foi um fato geral e conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islã, civilização escravista por excelência, não inventou, tampouco, nem a escravidão nem o comércio de escravos”.9
 
Aqui chegamos à escravidão negra. Muitos séculos ANTES da chegada dos brancos europeus à África, tribos, reinos e impérios negros africanos praticavam largamente o escravismo, exatamente como os berberes (e demais etnias muçulmanas). Os europeus do século XVI tinham verdadeiro pavor de deixar o litoral ou mesmo desembarcar de seus navios e avançar para longe da costa e capturar escravos. Estes eram trazidos pelos próprios africanos, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior do continente, abastecidos por guerras entre as tribos, ou mesmo puro sequestro.
 
Isso pode ser facilmente comprovado, por exemplo, com a descrição do império de Mali feita pelo cronista muçulmano Ibn Batuta (1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, e o depoimento de al-Hasan (1483-1554) sobre Tumbuctu, capital do império de Songai. Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos, naturalmente de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres negras (e escravas) eram crucificadas.10
 
Entrementes, a Igreja Católica reiteradamente condenava a escravidão. Há inúmeras bulas papais a respeito: Sicut Dudum (1435) – Eugênio IV (1383-1447) manda libertar os escravos das ilhas Canárias; em 1462, Pio II (1405-1464) instrui os bispos a pregarem contra o tratamento de escravos negros etíopes, e condena a escravidão como um “crime tremendo”; Paulo III (1468-1549), na bula Sublimus Dei (1537) recorda aos cristãos que os índios são livres por natureza (isto é, ao contrário dos negros, eles não praticavam a escravidão); em 1571 o dominicano Tomás de Mercado (1525-1575) declarou desumana e ilícita a escravidão; Gregório XIV (1535-1591) – Cum Sicuti, de 1591 – e Urbano VIII (1568-1644) – Commissum nobis, de 1639 – condenaram a escravidão. 11
 
Paro no século XVII. Há muito mais.12 Mas qual é o resumo da ópera? Devemos estudar o passado, não inventá-lo.""
 
Caso algum leitor tenha o interesse de saber sobre a verdade a cerca da relação entre a escravidão e a Igreja Católica, busque nas fontes primárias e não em autores tendenciosos ou oportunistas que tentam ganhar nome ou posição social, utilizando temas e bandeiras pobres de conteúdo e verdade....
 
Agradeço a oportunidade de apresentar o lado católico sobre o tema abordado...
Que Deus abençoe a todos, por intercessão de nossa Senhora Aparecida!
Um abraço!
 
A Folha do Café informa que esse texto é um texto independente e que a opinião nele exposta não representa a linha editorial deste veículo de comunicação. 
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