A vida também é feita das escolhas que você faz, das oportunidades que encontra e das circunstâncias que precisa enfrentar. Em muitos momentos, é preciso acreditar que você merece algo melhor para não se conformar com aquilo que não te faz bem.

Ser mulher ainda significa, para muitas, ocupar uma posição delicada. Afinal, são muitas as que cozinham, lavam, cuidam, trabalham fora e, ao voltar para casa, continuam trabalhando. Quando todas essas responsabilidades se acumulam, a sobrecarga se torna quase inevitável. Mas, mesmo quando tudo parece pesado demais, muitas sentem que precisam continuar sorrindo e dando conta de tudo. Afinal, foi assim que aprenderam.

Aprenderam que mulher é sexo frágil, mesmo enfrentando as dores do parto, o puerpério, a endometriose, a menstruação e a menopausa. Ai de uma mulher se uma lágrima cair, porque, em vez de acolhimento, ela pode encontrar julgamentos e ser chamada de preguiçosa ou neurótica. Essa é uma realidade que eu conheço, que muitas mulheres também conhecem e que ainda faz parte da vida de tantas outras no Brasil e no mundo.

Parece que a gente nasceu para caber em uma caixinha criada pela sociedade, que espera que as mulheres se doem, cuidem de todos e continuem sorrindo. Mas até quando vamos fingir que está tudo bem? Até quando tantas mulheres vão precisar sofrer em silêncio?

Você não precisa viver para caber nas expectativas dos outros. Tem o direito de sorrir, amar, sonhar, realizar, prosperar, mudar de ideia, dizer não quando quiser e viver em voz alta.

Você não precisa sorrir quando sente vontade de chorar. Não precisa aceitar tudo calada. Você merece ser ouvida, amada e respeitada. E, nessa construção, também é importante aprender a se ouvir, se amar e se respeitar. O quanto de compreensão você tem dado a si mesma?

Quando você se acolhe, começa a se conhecer melhor. E esse conhecimento te ajuda a perceber que nem todos os espaços merecem sua presença. Isso não significa se sentir melhor do que os outros, mas tomar posse da própria vida e assumir o protagonismo da sua história.

Às vezes, você pode acreditar que os obstáculos estão apenas nas pessoas e nas circunstâncias. Em outras, pode perceber que algumas crenças, medos e inseguranças também dificultam seus passos. Reconhecer isso não significa ignorar as injustiças que existem ao seu redor, muito menos assumir a culpa por tudo o que acontece. Significa entender o que está ao seu alcance, transformar e direcionar sua energia para suas atitudes e escolhas.

Você não precisa provar seu valor para ninguém, mas precisa reconhecê-lo e respeitá-lo por si mesma. Essa revolução interior pode transformar a maneira como você se enxerga e se relaciona com o mundo. É nesse processo que você começa a entender que não precisa dar conta de tudo, aceitar tudo ou esconder o que sente. Que desabafar, pedir ajuda e descansar também são necessidades. E que pensar em si mesma não é egoísmo.

É claro que a vida não vai ficar mais fácil só porque você passou a reconhecer seu valor. Mesmo se posicionando, você ainda vai precisar enfrentar desafios, superar dificuldades e encontrar forças para continuar. Mas existe uma diferença: você começa a entender que se diminuir para caber na vida de alguém não precisa mais ser uma opção.

Ser forte não é aceitar tudo calada, mas aprender a respeitar sua essência e sua verdade, mesmo quando isso exige coragem. Provavelmente, você ainda vai chorar, pensar em desistir ou duvidar de si mesma. E tudo bem. Você não precisa ser forte o tempo inteiro. O importante é não se abandonar para atender às expectativas de quem não reconhece seu valor.

Ser mulher não significa que você precisa dar conta de tudo, suportar tudo ou provar alguma coisa o tempo inteiro. Você é uma pessoa inteira, com desejos, limites, sonhos e possibilidades que talvez ainda nem tenha descoberto. 

Você merece ocupar os espaços aos quais seu coração deseja pertencer, sem precisar se diminuir para ser aceita.

 

Simone Benvindo

Entre nós, mulheres 

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