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Piraí sempre foi um município com vocação clara para o desenvolvimento industrial. Ao longo dos anos, essa característica se consolidou como resultado de uma política socioeconômica consistente, que atravessou diferentes gestões e se manteve como prioridade, independentemente de posicionamentos políticos. Isso, na minha avaliação, é um dos grandes acertos da cidade.
Hoje, ao observar o cenário atual, vejo um novo momento se desenhando. Com o retorno do prefeito Luiz Fernando Pezão à administração municipal em 2025, há um movimento evidente de retomada do protagonismo econômico de Piraí. Os números falam por si: são mais de R$ 1 bilhão em investimentos previstos para os próximos anos. Isso não é trivial. É resultado de articulação, credibilidade e, principalmente, de uma cidade que já construiu um ambiente favorável para receber empresas. Mas, ao mesmo tempo em que reconheço esse avanço, acredito que Piraí precisa olhar para uma nova frente de desenvolvimento. E é aqui que entra uma pauta que, na minha visão, ainda está subaproveitada: a economia verde.
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Quando penso no futuro do município, não vejo apenas a continuidade do modelo industrial tradicional. Vejo a oportunidade de integrar crescimento econômico com sustentabilidade, de forma estratégica e planejada. E isso não é apenas um discurso ambiental, é uma decisão econômica inteligente.Piraí possui áreas que podem ser direcionadas para projetos de restauração ecológica e fortalecimento da cadeia produtiva da restauração florestal.
Não estou falando de algo pontual, mas de uma política pública estruturada, que envolva as áreas de desenvolvimento econômico, meio ambiente e agricultura de forma integrada.Imagino o impacto que um projeto dessa magnitude poderia gerar.O replantio de árvores em áreas estratégicas, a recuperação de espaços degradados e, principalmente, a possibilidade de geração de receita por meio de créditos de carbono, que hoje ocupam papel relevante na economia global.
Quando comparo essa possibilidade com a limitação física que o município já começa a enfrentar para a instalação de novas indústrias, a reflexão se torna inevitável. Há casos de empresas interessadas que não conseguem se instalar por falta de espaço. Nesse contexto, investir na economia verde deixa de ser apenas uma alternativa e passa a ser uma estratégia complementar necessária.
Um exemplo que considero relevante é o programa Florestas do Rio, do governo estadual, que já movimenta mais de R$ 60 milhões em investimentos nessa área. Isso mostra que existe recurso, existe demanda e existe um caminho possível. Mas o impacto não se resume à arrecadação. O que mais me chama atenção é o potencial de geração de empregos.
Projetos dessa natureza exigem mão de obra, planejamento, acompanhamento técnico e execução contínua. Isso significa oportunidades reais para a população, inclusive para jovens que buscam inserção no mercado de trabalho. E mais do que isso, abre espaço para algo que considero essencial: a criação de novas possibilidades profissionais. Estamos falando de um setor que pode estimular novas formações, ampliar a educação ambiental e preparar pessoas para um mercado que só tende a crescer.
Não defendo que Piraí abandone sua vocação industrial. Pelo contrário. Acredito que ela deve ser fortalecida. Mas também entendo que o futuro exige diversificação, planejamento e visão de longo prazo. Por isso, considero fundamental que o governo municipal invista em um estudo técnico, profundo e ágil, que avalie a viabilidade da economia verde como política pública estruturante. Não como substituição, mas como complemento inteligente ao modelo que já existe.
Piraí tem base, tem histórico e tem potencial. Agora, o desafio é dar o próximo passo com estratégia.
Charles Barizon é Presidente da Acepi (Associação Comercial e Empresarial de Piraí)
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