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Piraí - Na última segunda-feira (17), aconteceu na Câmara Municipal de Piraí uma audiência pública para tratar de dois grandes desafios enfrentados diariamente por moradores e motoristas que utilizam a rodovia. A mesa da audiência foi composta pelo vereador Roberto Horta Jardim Salles (Betão), 1º secretário da Mesa Diretora e autor do pedido da audiência; o vereador José Otávio Ferreira de Abreu (Mucaca); o secretário de Ordem Pública e Mobilidade Urbana, Luiz Carlos Vidal Barroso; e o secretário de Governo, Lourivane Norris Ribeiro. Também participaram os vereadores Renan Cruz e Júlio Cesar da Fonseca Alves, assim como o engenheiro Paulo José Barenco, assistente técnico da casa legislativa.
Foram convidados para compor o plenário representantes da empresa CCR RioSP: Helen Arigone, de Relações Institucionais; Leandro Torres, Coordenador de Operações de Rodovias; e Virgílio Moraes, gerente de Obras da CCR.
A reunião focou em dois tópicos importantes que requerem ações imediatas:
- Acidentes e liberação da pista: foi discutido o alto índice de acidentes na Serra das Araras e a demora na liberação da via após as ocorrências, buscando alternativas para garantir melhor fluidez no trânsito.
- Horários das detonações de rochas: houve um debate sobre o fechamento da via, que atualmente ocorre das 14h às 16h. O objetivo é diminuir os impactos causados pela ação, evitando transtornos para os motoristas que acessam a estrada.
No início da audiência, Roberto Horta (Betão) destacou a preocupação com o número de acidentes na rodovia: “De acordo com os dados enviados pela Polícia Rodoviária Federal, na Serra das Araras, em 2024, ocorreram 67 acidentes, sendo 8 graves, com 78 feridos e 4 mortos. Em 2025, já ocorreram 14 acidentes, dos quais 3 são graves e 20 feridos”, destacou Betão.
Helen Arigone enfatizou sobre obra na Serra das Araras, cuja estimativa de entrega é para 2028 e 2029. A Nova Concessão estabelece que a CCR Rio SP administra de Seropédica até a chegada a São Paulo. Além da ampliação de capacidade, a pista será totalmente iluminada, trazendo mais segurança para as vias. A empresa prevê um investimento de cerca de 26 bilhões de reais.
Leandro Torres destacou as ações adotadas para a realização da obra na Serra das Araras, como a redução da velocidade de 80 km/h para 50 km/h e a ausência de acostamento na pista de subida, devido ao transporte dos materiais da obra na Serra. Isso impactou o tempo de execução e o custo. “Foram construídas 12 baias, onde minha equipe, quando precisa retirar algum carro da rodovia, não precisa subir toda a Serra, restabelecendo a condição normal da via com mais velocidade”, completou. Além disso, outra diretriz adotada foi o tempo de 2 horas de paralisação para o desmonte de rocha, tempo suficiente entre as detonações e a limpeza da pista, quando necessário. Serão executados até o final da obra 16 desvios provisórios no tráfego da rodovia.
Na Serra, estão duas ambulâncias, uma de suporte avançado na parte de cima e uma unidade de suporte básico embaixo, dois guinchos para remoção de caminhão e dois guinchos para automóvel, um veículo de inspeção e uma moto que visa dar mais mobilidade. Até o momento, já foram feitas 81 operações desde o início das obras.
Sobre a questão dos acidentes, Leandro Torres destacou os tombamentos, pois são os tipos de acidentes em que a CCR Rio SP possui mais dificuldade para liberar a pista, devido ao tamanho e à carga que os caminhões transportam. A causa provável é o excesso de velocidade e a perda de controle. Diante dessa situação, buscaram promover a conscientização, a fiscalização e melhorias na infraestrutura da rodovia.
Algumas ações já tomadas pela CCR incluem equipamentos que simulam controladores de velocidade, induzindo os motoristas a reduzirem. Além disso, houve o trabalho de manutenção de rotina, melhorando a sinalização. Em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, a fiscalização no alto da Serra das Araras, quando os veículos são abordados, inclui a conferência do sistema de freio pela equipe da CCR.
Os próximos passos incluem o projeto de sinalização, com a instalação de placas nos pontos críticos da pista de descida, a instalação do sistema de identificação de velocidade, tanto na pista de subida quanto na de descida, alguns metros antes dos pontos críticos, e a compra de guinchos de caminhão mais novos.
De acordo com Leandro, todas as medidas já adotadas ajudaram a diminuir o número de tombamentos na Serra.
O vereador Renan S. Gonçalves da Cruz fez algumas indagações sobre as medidas tomadas pela CCR, entre elas o uso do antigo retorno da Light e a falta de informação de forma mais ágil para os motoristas.
Em contrapartida, Leandro Torres, da CCR, enfatizou que foram realizados muitos estudos antes do início da obra, e foi analisado que nenhuma das alternativas de desvio possui infraestrutura para suportar o volume de tráfego da Dutra.
O vereador Julio Cesar questionou sobre os matos e buracos que prejudicam a circulação na rodovia. O 1º Secretário Betão completou o questionamento perguntando como estão os investimentos para a manutenção de 2025.
Os representantes da CCR informaram que todas as medidas de manutenção estão sendo adotadas, buscando sempre melhorar para aumentar o nível de serviço.
O Secretário de Ordem Pública e Mobilidade Urbana, Luiz Carlos Vidal Barroso, reforçou a importância da união dos órgãos envolvidos, não somente a CCR, mas também a Polícia Rodoviária Federal e a ANTT.
O horário de fechamento da rodovia permanece inalterado, sem previsão de mudança, visto que tem atendido às demandas do transporte escolar e do comércio até o momento.
O engenheiro Paulo Barenco, atuando como assistente técnico da casa legislativa, indagou sobre a instalação dos equipamentos de velocidade e a questão do volume de carga.
Em resposta, Leandro Torres informou que a localização do controlador de velocidade é de competência da Polícia Rodoviária Federal. A CCR realiza mensalmente um comitê, um programa de redução de acidentes, um trabalho contínuo para minimizar os problemas na rodovia.
“É inevitável não ter transtornos neste cronograma de obras, a gente está tentando buscar alternativas para mitigar o problema”, reforça Leandro.
Leandro, ainda aborda sobre o aumento de número de câmeras, que passou de 100 para 1650 equipamentos, Rio-Santos e Dutra, algumas câmeras possuem detecção de incidentes, elas detectam o problema e dão o alerta.
“A nossa obrigação é disponibilizar estas imagens para o centro da ANTT, onde ela controla todas as rodovias concedidas. CNSO em Brasília. Lá concentra as informações de imagens e pesagem de veículos. Com relação ao contrato, nós temos a obrigação de construir novas UOPs para a Polícia Rodoviária Federal. Um exemplo é a do Caiçara, onde o posto será demolido e será construída outra em frente à balança de Paracambi, sentido Rio de Janeiro. Essas obrigações serão entregues dentro de 3 anos no máximo. Isso vem para dar mais segurança. Um dos pontos mais críticos da Serra das Araras é quando o caminhão tomba e a carga fica intacta, pois envolve outras questões que a concessionária não consegue agilizar a liberação da pista. Nós já estamos tratando isso junto à Superintendência. Tudo o que é possível fazer para sanar a demora na liberação, a concessionária está buscando, seja através dos órgãos de segurança ou internamente, buscando novas soluções e tecnologias.”
Na ocasião, a população também foi ouvida, os presentes reforçaram a necessidade de trabalhar para haver maior agilidade nas vias e as ações para melhorar a comunicação, principalmente com os moradores e comerciantes, que são afetados diretamente com os acidentes e paralisações.
Em resposta à população, Helen Arigone reforçou a importância da cobrança na comunicação que foi feita, para que assim possam buscar melhorias e enfatizou que a CCR Rio SP faz os comunicados na imprensa, junto à prefeitura, no aplicativo, no site da empresa. Mas, como foi constatado que isso não está sendo efetivo, então será abordado internamente como melhorar as ações na comunicação.
Outra demanda importante abordada pela população foi sobre as desocupações. O 1º Secretário informou sobre a insatisfação do prefeito Pezão, que não concorda com a forma como a CCR Rio SP vem conduzindo essas ações. Inclusive, já está buscando alternativas em Brasília, como as casas populares, para manter a dignidade das pessoas.
Além disso, segundo Fabiane, presidente da Associação da Serra das Araras, os problemas vão muito além dos acidentes, pois falta água, há dificuldade no transporte público, casas com rachaduras devido às detonações, pessoas que ainda não receberam o aluguel social, por exemplo.
Diante disso, o 1º Secretário Roberto Horta (Betão) e o Secretário de Governo, Lourivane Norris Ribeiro, reforçaram o compromisso e a importância da CCR montar um plano de ações junto com a Associação e o Governo Municipal, para minimizar os danos e garantir uma melhor qualidade de vida e mobilidade para as pessoas.
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