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Toque de bola - Augusto Carpazano

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No Clássico dos Milhões, Flamengo goleia Vasco e aumenta crise em São Januário

Por Augusto Carpazano 02/06/2024 às 19:53:26

Vasco e Flamengo entraram no gramado do Maracanã para a volta do Brasileirão 24, e o time da Colina tinha a estreia do treinador português, Álvaro Pacheco, como seu principal atrativo do jogo.

O treinador, que nunca havia trabalhado no futebol sul-americano, tratou de colocar seu time num estilo reativo, com as linhas mais baixas e o centroavante Vegetti sozinho contra os defensores rubro-negros. O 5-4-1, tinha Maicon e Léo abertos, visando dar proteção aos alas Puma Rodriguez e Pitón pela característica de ambos terem dificuldades na marcação. João Victor ficou como zagueiro da sobra, pelo meio; Galdámes e Sforza seguiram a frente da defesa, tendo Rayan e Payet abertos. Esse tipo de estratégia, deixou Pitón ainda mais sozinho, pois Payet marca pouco e tem a tendência de ocupar o mesmo espaço do camisa 6 vascaíno, já que ele é um lateral construtor e o camisa 10 um jogador que busca ficar de frente para o gol. O lado esquerdo, na ponta esquerda em especial, ficou despovoada durante todo jogo, e na parte defensiva Léo tinha que sair da área para ajudar na marcação de Gérson e Varela, que não era acompanhado pelo francês.

Mesmo assim, com esses problemas táticos muito ainda pelo pouco conhecimento do estilo de futebol praticado por aqui e pelo pouco conhecimento do grupo pelo técnico português, o Vasco saiu na frente com Vegetti que, após bola na área, fez um golaço de primeira que Marco Van Basten, um dos grandes atacantes do futebol mundial, assinaria! 1 x 0

Mesmo atrás do placar, o Flamengo conseguia ocupar todo o meio-campo, até porque Allan e De La Cruz jogavam sem marcação e ocupando os espaços entre os meias e o centroavante vascaíno.

Usando os lados, onde Maicon não tinha velocidade e Léo estava sobrecarregado, Cebolinha e Gérson tiveram boas jogadas.

E não demorou muito para o Flamengo empatar. Após cochilo de Maicon, na disputa com De Arrascaeta, a bola sobrou para Cebolinha pegar de primeira, sem chances para Léo Jardim. 1 x 1

Desse momento em diante começou um pesadelo para o torcedor vascaíno, pois foram sucessivos erros, táticos e técnicos, que construíram a goleada do Flamengo. Logicamente, levando em consideração a qualidade do grupo flamenguista e do técnico Tite, porém com erros terríveis no sistema defensivo cruzmaltino. Ainda no primeiro tempo, seguindo sua pressão e vendo o Vasco acuado no próprio campo, o rubro-negro virou o jogo. Após escanteio batido rápido Cebolinha recebeu, desconsertou a defesa do Vasco e cruzou para Pedro, Puma ficou olhando, e o camisa 9 tocou de peito para o fundo das redes. 1 x 2.

E seguiu o volume de jogo de um lado e os erros de outro. Mais um escanteio batido e a defensiva vascaína fica olhando David Luiz girar e, de canhota, estufar as redes. 1 x 3.

Achou que com a chegada do final do primeiro tempo a "cruz de malta ia ficar mais leve"? Achou errado! João Victor, que começara a fazer um movimento de passar de zagueiro da sobra para primeiro volante, perdeu a bola e deu uma entrada forte no tornozelo de De La Cruz, sendo expulso.

Na volta para o segundo tempo, Álvaro Pacheco colocou Rossi no lugar do apagado Rayan, no entanto vários estragos já estavam feitos, como os três gols em três falhas e a expulsão, justíssima, de João Victor. O 4-4-1 ainda sofria pelos lados com os erros de posicionamento dos laterais, com a lentidão de Maicon e a falta de dinamismo dos volantes.

Payet? Bem, fez hoje sua pior partida com a camisa do Vasco… Para o Flamengo aumentar o placar era questão de tempo. E após jogada entre Pedro e De Arrascaeta, o uruguaio invadiu a área e tocou na saída do goleiro. 1 x 4

Pacheco, finalmente vendo que Payet era uma figura meramente decorativa em campo, mexeu no time colocando Paulo Henrique, Zé Gabriel e Praxedes na vagas de Puma, Sforza e do francês… Melhorou o time? Não… era impossível àquela altura do jogo.

Tite oxigenou seu time com Bruno Henrique que Luiz Araújo dando ainda mais volume de jogo pelos lados do campo. O camisa 27, inclusive, em seu primeiro lance bateu uma bola de curva, na "bochecha" da rede aumentando o calvário vascaíno. 1 x 5…

Mas para se tornar a maior goleada do Flamengo sobre seu rival em todos os tempos, ainda faltava mais um. Levar mais um gol, o rubro-negro sabia que era impossível já que o Vasco era um "boxeador nas cordas" e após as polêmicas com a foto tirada com a camisa do Corinthians e a perda da camisa 10, o treinador do Flamengo lançou Gabriel Barbosa em campo… E a ele coube a missão de bater o último prego no caixão vascaíno no jogo, após receber pelo lado direito, com um toque, o agora camisa 99, deslocou Léo Jardim e selou a vitória no jogo histórico. 1 x 6.

O resultado mostra algumas situações para ambos os lados:

Para o Flamengo que está no caminho certo, pois taticamente é um dos melhores times que o rubro-negro já teve. Ainda com ajustes a fazer, e alguns jogadores a se esforçarem mais sem a bola, mas com o nível que os meias uruguaios dão ao time, e a potência ofensiva de seus atacantes trazem ao jogo, a missão dos adversários tem sido ingrata.

Já para o Vasco, e principalmente seu técnico, fica a lição de que o futebol brasileiro não é como o europeu… para colocar os conceitos de lá leva tempo. A divisão de base ainda tem métodos da década de 1990, portanto, fazer o resultado é primordial para depois, com maior confiança dos jogadores e da torcida no time, conseguir colocar sua "impressão digital" no trabalho.

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